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Artigo · 6 min de leitura

Sua empresa entrega valor. O mercado consegue perceber?

Por Kadu Ferreira · Publicado em

Toda empresa que dura tem algum valor real. Se não tivesse, o cliente não voltava, ou não indicava, ou nem teria comprado a primeira vez. O que muda de empresa para empresa é o quanto desse valor chega até quem ainda não comprou.

Eu chamo essa distância de percepção. Marketing, no meu trabalho, é organizar percepção. Não é publicar mais.

Valor entregue e valor percebido

Valor entregue é o que a empresa faz: o produto, o serviço, o atendimento, o cuidado com o detalhe. Valor percebido é o que o mercado enxerga de tudo isso antes de comprar. As duas coisas raramente coincidem.

O erro mais comum do dono é achar que a percepção é consequência automática da qualidade. Não é. Uma empresa pode entregar muito e ser percebida como mais uma. Outra pode entregar o razoável e ser percebida como referência. A segunda foi mais clara sobre o que faz.

Por que a qualidade sozinha não aparece

Quem compra pela primeira vez não tem como avaliar a qualidade. Ele ainda não usou o produto, não conhece o cuidado do atendimento e não viu o resultado. Ele decide com o que consegue ver de fora: o site, as avaliações, a clareza da oferta, a rapidez da resposta. Tudo isso é percepção.

Isso explica uma situação que eu vejo com frequência. A empresa tem clientes que adoram e, mesmo assim, o novo cliente não chega na mesma proporção. O valor existe, mas só quem já comprou consegue vê-lo. A tarefa do marketing é fazer quem ainda não comprou enxergar o que o cliente antigo já enxerga.

Como medir a distância

Você não precisa de pesquisa cara para começar. Precisa de quatro leituras, cada uma com fonte e data.

  1. 01O que o cliente que comprou dizConverse com cinco clientes e peça para descreverem a empresa a um amigo. Anote as palavras exatas.
  2. 02O que o cliente que não comprou entendeuOlhe as mensagens de quem perguntou e sumiu. A pergunta que ele fez mostra o que ele achou que você vendia.
  3. 03O que o Google mostraPesquise o nome da empresa e o que ela faz, como um desconhecido faria. Leia as avaliações e o que aparece primeiro.
  4. 04O que a sua equipe falaPeça que três pessoas expliquem a empresa em uma frase, separadas.

Compare as quatro. Onde elas divergem, está a distância. Quase sempre o cliente que comprou descreve algo melhor do que o que está no site.

Quatro ruídos que escondem a empresa

  • Promessa genérica: “qualidade, compromisso e confiança” cabe em qualquer empresa e por isso não identifica nenhuma.
  • Prova escondida: o melhor argumento está na boca do cliente satisfeito e não aparece em nenhum lugar público.
  • Caminho longo: o interessado chega, gosta, e precisa dar cinco passos até conseguir pedir. Quem não dá, some.
  • Inconsistência: o site diz uma coisa, o Instagram outra e o atendimento uma terceira.

O terceiro ruído é o mais barato de corrigir e o que mais custa quando ignorado. Em um projeto meu, o site foi desenhado para receber demanda: o visitante clica no estado do mapa e o pedido abre já com a UF preenchida. Não foi enfeite. Foi encurtar o caminho entre querer e pedir.

O erro de tentar resolver só com design

Quando a percepção está fraca, o primeiro reflexo é refazer o visual. Um logo novo, um site mais bonito, uma paleta mais moderna. O visual ajuda, mas só depois da decisão. Sem ela, o designer recebe um pedido vago e entrega um gosto. A empresa aprova ou recusa pelo gosto também, e o ciclo recomeça.

A ordem que funciona é a inversa: primeiro a frase que diz o que a empresa sustenta, depois a forma que a torna visível. Com a frase decidida, quem desenha sabe quando acertou.

O exercício da frase

Eu peço este exercício na primeira conversa. Escreva uma frase de até doze palavras que complete: “A gente é a empresa que…”. Três regras.

  • Ela precisa ser verdade hoje, não uma meta.
  • O concorrente não pode assinar a mesma frase sem mentir.
  • O cliente que comprou precisa reconhecer a frase como dele.

Se a frase sai fácil, ótimo: agora confira se ela aparece no site, no perfil e no atendimento. Se demora, ou se sai uma lista de adjetivos, a empresa ainda não decidiu o que sustenta. É a decisão, e não a campanha, que está faltando.

Onde a frase precisa aparecer

Uma frase escrita e guardada não muda percepção nenhuma. Ela precisa estar onde o cliente decide. Eu confiro quatro lugares, nesta ordem.

  • A primeira tela do site, antes de qualquer rolagem.
  • A apresentação do perfil no Instagram e no Google.
  • A primeira resposta do atendimento.
  • A primeira página de qualquer proposta.

Se a frase não aparece nesses quatro lugares, o cliente reconstrói a sua empresa sozinho, com o que sobrar. Raramente ele reconstrói a seu favor.

O que muda quando a percepção melhora

Eu não prometo número, porque ele depende do que a empresa executa depois. O que eu consigo apontar é o que costuma mudar de lugar: o cliente certo chega mais informado, a conversa de venda gasta menos tempo explicando o óbvio, e a equipe para de discutir cada peça do zero, porque existe uma frase que decide.

Se você fez as quatro leituras e as respostas não bateram, o próximo passo é organizar isso por escrito. É o que o diagnóstico entrega: a leitura do que existe, a decisão do que sustentar e a lista curta do que fazer primeiro.

Perguntas

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre valor entregue e valor percebido?

Valor entregue é o que a empresa faz de fato. Valor percebido é o que o mercado enxerga antes de comprar. A distância entre os dois é o que o posicionamento organiza.

Preciso de pesquisa de mercado para medir isso?

Para começar, não. Cinco conversas com clientes, a leitura das mensagens de quem não fechou e uma pesquisa no Google com olhar de desconhecido já mostram onde a percepção falha.

Para continuar

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Quer aplicar isso na sua empresa?

Me conta o que está travando. A conversa começa pelo diagnóstico.